terça-feira, 25 de março de 2014

Entendendo o porquê do Marco Civil da Internet


Há dez anos teria sido considerada “teoria da conspiração” as possibilidades de que empresas da Internet dominassem a economia mundial. Hoje, percebe-se que o Google, o Facebook, o Youtube desempenham grande influência na economia e nas nossas vidas, tornando-se um dos principais temas de discussão no Congresso e adiada mais uma vez o Marco Civil da Internet que deveria ter sido votado nesta semana que passou (17 a 23 de março de 2.014).

Tentou-se em fevereiro deste ano, regulamentar o PL 2126/2.011que deixa de funcionar como a uma “carta de direitos do internauta” para funcionar como regulação de modelos de negócios econômicos, segundo a advogada Ana Luiza Valadares Ribeiro da Associação Brasileira de Direito da Tecnologia da Informação e das Comunicações (ABDTIC), quando de sua estada em São Paulo, em janeiro passado. A discussão do Marco Civil gira em torno de empresas de radiodifusão que querem uma exceção, para não terem que recorrer à Justiça toda vez, enquanto que, para empresas de Internet é mais fácil aguardar a decisão do Juiz.

A neutralidade da rede, a validade da jurisdição brasileira e a tentativa de obrigar empresas estrangeiras a instalarem banco de dados no Brasil foram discussões feitas por ela, bem como, a criminalização da Internet, o que é o direito do internauta, por quanto tempo poderia permanecer na rede um assunto antes da retirada por ordem judicial e, por quantos anos um provedor guardaria nossos dados. Era isso o que se pretendia  no começo, entretanto, empresas de telecomunicação pressionaram para que o jogo fosse claro e equilibrado.

A TV por assinatura paga ICMS, enquanto que o Netflix e o Slingbox  roubam clientes da forma como operam. O necessário e importante, é a banda Wi-fi. Portanto será alterado o modelo de exploração econômica na Internet, cuja utilização achamos ser gratuita. O Google, o Facebook, o Youtube, usam  infraestrutura  instalada por outras empresas outorgadas pelo poder público.

Tanto empresas de telecomunicação quanto as de Internet, têm poder de gerenciamento dos nossos dados, portanto, é necessário o estabelecimento de critérios para direitos que ficarão cada vez mais importantes, como o “direito ao esquecimento”; já que, se alguém publica uma informação inadequada, jamais será apagada, mesmo que se consiga liminar para retirá-la do site. Tal informação pode ter sido salva por alguém e recolocada na rede. É preciso pensar que a nossa informação passa por vários países ao mesmo tempo, enquanto trafegam na rede. Quando enviamos um e-mail, a mensagem se fragmenta em vários pacotes que se dividem em outros milhares de pacotes e cada um vai para um canto. Acontece que o e-mail demora a chegar, porque as informações demoraram a se encontrar e não foram compactadas ao mesmo tempo.

Outro ponto destacado pela Advogada Ana Luiza Valadares Ribeiro é que o Judiciário possui o entendimento de que empresas de Internet  instalem data centers no Brasil, para facilitar a divulgação de dados quando a justiça assim o determinar, evitando que as empresas justifiquem não poder liberá-los porque estão nos Estados Unidos ou em qualquer lugar do Mundo. Isso não quer dizer que data Center no Brasil, resolva todos os problemas de segurança da informação, ao contrário, pode haver um problema gerencial ou mesmo de dimensionamento de tráfego  porque, hoje os servidores estão espalhados pelo Mundo e teriam que ser colocados em algum lugar e alguém teria que pagar.

O Google tem data Center no Chile porque lá, o marco jurídico é estável, existe arcabouço jurídico necessário para que a empresa avalie a possibilidade de se instalar, além das leis de Neutralidade, de Proteção de Dados, o que não existe no Brasil.

                                                                                         Lucrecia Anchieschi Gomes
                                                                                                                                   Março 2.014

terça-feira, 11 de março de 2014

Movimentos de Rua e Eleições Limpas


Movimentos de Rua e Eleições Limpas

As manifestações de rua de 2.013 não só cobravam mais trabalho, seriedade e dedicação dos parlamentares, mas indicavam acima de tudo, a inconformidade da população em relação à política que aí está.

O Projeto de Lei de Iniciativa Popular “Eleições Limpas” quando aprovado terá mudado e muito as questões pelas quais gritavam os movimentos de rua.

“Eleições Limpas” representa um complexo de medidas que as pessoas precisam entender bem para aceitar e difundir com toda segurança e entusiasmo.

Das propostas defendidas, a liberdade de expressão especialmente na Internet, hoje perseguida por leis retrógradas que permitem que internautas sejam multados por emissão de opiniões de natureza crítica, pode mudar para maior liberdade, dentro de padrões éticos exigidos pela própria Lei.

O segundo ponto a chamar nossa atenção e ser valorizado é a votação em dois turnos: o cidadão vota no Partido e depois escolhe um candidato da lista da legenda.

De todas as propostas elencadas, a retirada do financiamento de campanhas eleitorais por parte de empresas privadas é o mais importante, pois todos nós sabemos que a nossa ainda frágil Democracia vem sendo descaradamente financiada pelo poder econômico.

Entretanto, sabemos da grande resistência da classe política em aprovar mudanças, pois os parlamentares acreditam na sua reeleição com as regras que aí estão. Mudanças só viriam atrapalhar seus planos de se perpetuarem no poder.

Têm interesse em financiar campanhas eleitorais: frigoríficos, faculdades particulares, hospitais privados, planos de saúde, etc. Os maiores financiadores são os bancos, as mineradoras e as construtoras.

Depois das doações de empresas, hoje é o Fundo Partidário a segunda maior fonte de receita das legendas, tendo aumentado depois de o Congresso em 2.011 haver injetado um extra de 100 milhões de reais que ajudou no pagamento de dívidas de campanha eleitoral do ano anterior.

O Fundo foi regulamentado em 1.995 e graças a manobras de líderes partidários no Congresso, a definição de recursos orçamentários para o financiamento dos partidos alcança R$ 300 milhões por ano, desde 2.011.

                                                                            Lucrecia Anchieschi Gomes

domingo, 9 de março de 2014

Êxito na aplicação da Lei da Ficha Limpa


Êxito na aplicação da Lei Ficha Limpa

Dia 20 de fevereiro de 2.014, data da conquista voluntária a ser lembrada e comemorada pelo MCCE – protagonista da Lei da Ficha Limpa. Parceria entre o Presidente do Tribunal Regional Eleitoral e o Presidente do Tribunal de Justiça ambos de Santa Catarina, indica celeridade e padronização na expedição do registro de candidatura às eleições de 2.014.

“Só poderemos julgar com segurança e aplicar na íntegra a Lei da Ficha Limpa se contarmos com a colaboração da Justiça Estadual na expedição das certidões de antecedentes criminais e cíveis, pois a partir dessas informações poderemos decidir se o candidato está apto ou não a concorrer no pleito”, justificou o desembargador Vanderlei Romer – Presidente do Tribunal Regional Eleitoral.

Diante dessa situação o Presidente Nelson Schaefer Martins (TJSC), expedirá orientação aos cartórios do Estado para que as certidões sejam instruídas com informações necessárias para o julgamento das ações de registros de candidaturas, garantindo êxito na aplicação da Ficha Limpa e que todos os casos possam ser julgados com legitimidade, excluindo “fichas-sujas”.

Assim como Santa Catarina os candidatos “fichas-sujas” estão na mira do Ministério Público do Estado da Paraíba que, junto com o Ministério Público Eleitoral tentará impedir candidatura de pessoas que tenham tido seus mandatos cassados nestes últimos oito anos, que tenham renunciado ao mandato para fugir do processo de cassação, ou que tenham sido condenadas por decisão de órgão colegiado, mesmo que exista possibilidade de recursos. Serão implacáveis no cumprimento da Lei da Ficha Limpa e farão reuniões com Promotores Eleitorais para definição de estratégias.

O Ministério Público de Minas Gerais também foi enfático em dizer que, na falta de uma regra exigindo certidões-cíveis proporá por conta própria correr atrás das informações para cercear “fichas-sujas”.

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral enviou ao Tribunal Superior Eleitoral algumas centenas de assinaturas solicitando-lhe que incluísse na Resolução, a exigência das certidões cíveis.  Este, o TSE foi insensível tendo publicado no dia 05 de março regras sobre propagandas eleitorais e contas de campanha, sem qualquer menção às certidões cíveis.

                                                                                                                 Lucrecia Anchieschi Gomes

 

 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Certidões Cíveis afastando "fichas-sujas"


É bastante provável que candidatos considerados inelegíveis disputem as próximas eleições, isto porque são exigidas Certidões Criminais e omitidas as Certidões Cíveis, justamente por falta de adaptação à nova realidade do Artigo 11 da Lei Eleitoral que elenca os documentos a serem apresentados no ato do Registro de Candidatura à Eleição. Assim, é importante que o Tribunal Superior Eleitoral regulamente a matéria, cujo prazo vence dia cinco de março próximo e deixe claro, quais documentos devam ser exigidos para se evitar candidaturas “fichas-sujas”.

Dentre os documentos elencados no Artigo 11 da Lei Eleitoral está a exigência das Certidões Criminais, porém, torna-se indispensável a apresentação das Certidões Cíveis, para que pessoas condenadas por improbidade administrativa, por abuso de poder econômico ou político e por compra de votos, sejam declaradas inelegíveis.

Sem que se exija a apresentação das Certidões Cíveis fica difícil enquadrar candidatos “fichas-sujas” nas exigências da Lei Complementar 135/2010 – Lei da Ficha Limpa, já que seria impossível diagnosticar a situação dos candidatos em relação a processos cíveis, que os impediriam de concorrer nas próximas eleições.

Petição online pelo MCCE está ocorrendo em todo o Brasil, solicitando que os Ministros do Tribunal Superior Eleitoral debatam a possibilidade de inclusão da exigência das Certidões Cíveis, documento indispensável a subsidiar o Ministério Público para que possa impugnar candidaturas, já que, só a apresentação das Certidões Criminais não nos assegura eliminar “fichas-sujas”. A mudança se faz urgente e necessária para que a Ficha Limpa seja efetivamente aplicada na sua integralidade.

Lamentável que a máquina pública só funcione por pressão. Pressionemos então o Tribunal Superior Eleitoral a aprovar Resolução que exija a apresentação de Certidões Cíveis: www.change.org/certidoesciveis   no ato do Registro de Candidatura.

Importante saber que o Ministério Público pode buscar o passado cível de cada candidato, sempre que houver suspeita de condenação anterior.
 
                                                                             Lucrecia Anchieschi Gomes

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A Obsessão da Certeza




A Obsessão da Certeza
Lamento I
Você José que defendeu tese sobre a qual muitos se assentaram, fora terrivelmente injuriado, injustiçado, oprimido, caluniado, acuado, . . . 

Você José que na defesa do bem-comum para um Brasil mais igualitário e justo, fora espezinhado, hostilizado, massacrado, discriminado, insultado, repudiado, . . .

                                      Você José, intimidado e afastado!
E agora José, você impelido pela obsessão da certeza dos justos mova-se, reencontra-se, reconstrua-se, readquira a confiança e leve em frente a tese da benquerença, da solidariedade e do amor a todos.
E que Deus, na sua suprema sabedoria o proteja e lhe devolva a confiança e a alegria de continuar na defesa da justiça e da liberdade entre os homens.
Siga em frente José: o futuro o espera com glória

Lucrecia Anchieschi Gomes
                                           Fevereiro 2.014                         

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Reedificação dos Tribunais de Contas


O objetivo da PEC 329/2.013 que prevê a realização de concurso público de provas e títulos para as carreiras dos órgãos de contas é o de acabar com a interferência política na atuação dos integrantes dos tribunais de contas, recomendando modelo de Poder Judiciário cujo ingresso na carreira, se daria mediante concurso para o cargo de juiz substituto, que galgaria o Tribunal através da promoção em carreira.
O concurso seria destinado aos cargos de 1) auditor substituto de ministro; 2)  auditor substituto de conselheiro; 3) auditor de controle externo.

Veda nomeação de ministros do Tribunal de Contas da União ou integrantes de todos os outros órgãos de contas, que sejam inelegíveis a cargos públicos por condenação em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, por crimes de lavagem de dinheiro ou tráfico de drogas e exige ainda, formação em nível superior já que, 25% dos membros dos tribunais de contas estaduais, não possuem formação adequada para o exercício da função.
Cabe ainda ao Conselho Nacional de Justiça que já fiscaliza 15 mil juízes, a fiscalização das ações dos ministros, conselheiros e auditores. E, caberá ao Conselho Nacional do Ministério Público fiscalizar os Procuradores do Ministério Público de Contas.

A Constituição Federal estabelece que os tribunais de contas sejam integrados por sete (7) conselheiros, mas com regras de composição determinadas pelas constituições estaduais.
A PEC 329/2013 prevê que no surgimento de vagas, estas sejam preenchidas obedecendo uma ordem de escolha:

- Um (1) eleito pela classe entre os auditores de controle externo concursado pelo menos há dez anos;

- Um (1) eleito pela classe entre os membros vitalícios do Ministério Público de Contas;

- Um (1) eleito alternativamente, pelos conselhos profissionais de direito, administração, contabilidade e economia;

- Quatro (4) eleitos pela classe dentre os auditores substitutos de conselheiro vitalício.

Os integrantes terão mandato vitalício com exceção apenas do representante dos conselhos profissionais que, como representante da sociedade, cumprirá mandato de quatro anos.

A PEC 329/2013 será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania, e se aprovada será discutida por uma comissão especial antes de seguir para votação em dois turnos no Plenário.

 Lucrecia Anchieschi Gomes
  http://www.luanchieschi.blog.uol.com.br  

Voto Aberto e o Retardo Legislativo


Voto Aberto e o Retardo Legislativo

Nada exerce mais atração sobre os seres humanos do que o poder. Para Maquiavel, o poder é tratado não como objeto, como coisa, mas como processo, portanto efêmero.

Os governantes que individual ou coletivamente desempenham funções de poder detêm a capacidade de agir, o que quase sempre o fazem, sob pressão dos comandados. Convivemos com situações constrangedoras como o enriquecimento ilícito de alguns, a impunidade de outros e a prosperidade da hipocrisia política de muitos. O lixo mais deletério e mais difuso da política é a corrupção, que acompanha o poder, como a sombra o corpo.

Condenado em 2.013 pelo Supremo Tribunal Federal a treze anos de prisão por formação de quadrilha e desvio de R$ 8milhões da Assembléia Legislativa de Rondônia, o Deputado Natan Donadon fora conduzido ao Complexo Penitenciário da Papuda em Brasília.

Submetido ao primeiro julgamento na Câmara Legislativa Federal em agosto de 2.013, manteve seu mandato protegido pelo “voto secreto” de seus pares, sob indignação e desconfiança da população há muito enfurecida.

Diante das manifestações de rua, o legislativo federal acabou aprovando a PEC que acaba com o voto secreto em processos de cassação e instituiu o “voto aberto”, sob aplausos da população que aspira mudanças substanciais no jeito de fazer política que aí está.

Percebendo que “status” de prisioneiro junto à Câmara Federal afetaria em cheio a imagem da Casa, colocando em risco a credibilidade da instituição já esgarçada, os deputados resolveram em primeira sessão nesta quarta-feira passada (12.02.2014) com voto aberto, cassar o mandato do Deputado Natan Donadon de Rondônia, sem partido político.

Dos 469 deputados presentes no Plenário da Câmara, 467 votaram pela cassação.  O Deputado Asdrubal Bentes (PMDB/PA) absteve-se e o Presidente da Casa Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN) não votou impedido que fora, pelo Regimento da Câmara que só autoriza votação no caso de empate.

Os deputados que deixaram o Plenário antes da votação, no dia seguinte, justificaram compromissos partidários em seus redutos eleitorais.

Essa foi a primeira vez que o Congresso enfrentou perda de mandato de um parlamentar em votação aberta. O povo espera que o fato ocorrido, se torne hábito saudável e transparente em todas as Casas Legislativas do País.

Na Constituição Federal de 1.988, a transparência e a informação estão previstas como dever do Estado.

Lucrecia Anchieschi Gomes
http://www.luanchieschi.blog.uol.com.br