domingo, 21 de fevereiro de 2016

Menor na Rua




Hoje admitimos a probabilidade maior de uma criança ser admitida num hospital psiquiátrico do que numa universidade, o que nos leva a interpretar como indicação de que estamos conduzindo mal as nossas crianças e levando-as à loucura. Será que as estamos educando realmente? Provável que o nosso método de educá-las é que as está levando à loucura.
Ninguém ensina ninguém, é preciso criar condições para a aprendizagem e o professor deve ser o facilitador dessa aprendizagem.
Foi o filósofo e psicólogo suíço Jean Piaget quem descobriu que as crianças não pensam como os adultos – têm sua própria ordem e sua própria lógica.
Para o cientista suíço, o conhecimento se dá por descobertas que a própria criança faz, um mecanismo que outros pensadores antes dele, já haviam instruído, mas foi ele quem o submeteu à comprovação na prática.
Vem de Piaget a idéia de que o aprendizado é construído pelo aluno e é sua teoria que inaugura a corrente construtivista.
Educar para Piaget é “provocar a atividade” isto é, estimular a procura do conhecimento. Os adultos devem assumir a responsabilidade de conduzir as crianças por caminhos que elas desconheçam. Piaget acreditou e comprovou que o conhecimento vem das descobertas que a criança faz.
A permanência da criança na rua ameaça sua integridade e a de outras categorias sociais. Existem ligações claras entre ambulantes, pedintes e meninos de rua, com o mundo do crime organizado. Importa-nos enfrentar o fenômeno mais escandaloso de nossa realidade, a esmagadora pobreza. Seres humanos privados de direitos elementares como saúde, alimentação, trabalho, educação, moradia, terra, cultura e lazer. É ingênuo imaginar que um banqueiro promova a reforma agrária. E não é preciso ir longe pra descobrir essa gente, é só por os pés na cozinha e constatar como vive a família da empregada doméstica.
Apesar de todo esforço governamental, há muito por ser feito ainda!
A crise da família está no olho do furacão da delinqüência bem nascida, haja vista o alto índice de criminalidade entre os jovens de classe média.
Em Carta à Família (1.994) o Papa João Paulo II detecta um grande despertar das
consciências entre os jovens: “Cresce entre os jovens, uma nova consciência de respeito à vida” diz ele.
Em pouco mais de cem páginas o Papa discorreu alguns dos mais delicados temas da atualidade - paternidade responsável, individualismo, fidelidade, consumismo, direito à vida, desemprego, educação, etc.

                                                             Lucrecia Anchieschi Gomes

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Agressão à Infância




“É essencial que se reconheça que uma tapa emana sempre da fraqueza, não da força. Pecado mesmo é a hipocrisia de transformar um descontrole numa tese de Pedagogia. Quando vejo uma criança levar da mãe ou do pai, uma tapa na cara, sinto que a cada uma dessas experiências humilhantes, alguma coisa se despedaça dentro desse projeto de ser humano, de tal forma, que o adulto sobrevivente é apenas uma sombra da pessoa
que poderia ter sido, paródia e caricatura da sinfonia que cada um traz dentro de si, como possibilidade de ser”. (Trecho de “O Amor tem mil caras” da Psicóloga Lídia Aratangy)
.A escola é um santuário de idéias. O caminho para educar o povo é o de possibilitar-lhe visão global, visão holística da realidade.
O caminho para educar o povo é possibilitar-lhe a passagem do senso comum de uma concepção fragmentária, incoerente, desarticulada, implícita, degradada, mecânica, passiva e simplista, para uma consciência filosófica de concepção unitária, coerente, articulada, explícita, original, intencional, ativa e cultivada. Todos os processos de educação apresentam o sagrado interesse de ensinar, dizia o Construtivista Carl Rogers.
Na educação e na psicologia, Rogers se opôs às práticas dominantes na sociedade.
Para ele, a tarefa do professor é facilitar o aprendizado e que o aluno o conduza ao seu modo. Rogers notabilizou-se como grande humanista cuja teoria se baseia numa visão otimista do homem. Uma filosofia essencialmente humanista preocupada com a formação do homem.
“Educar é fazer a criança pensar. Pensar é criar. Criar é libertar-se”. (Professor Cândido de Oliveira - Anais do Programa de Ensino da Escola Primária Paulista - 1.968)

                                                                                                               Lucrecia Anchieschi Gomes

Família - Escola de Amor




Se no seu seio familiar, crianças e jovens, adultos e anciãos, aprendem a amarem-se porque são irmãos, filhos e pais, ao entrarem numa sociedade tremendamente competitiva, marcada pela inveja e mútuas rejeições, os novos cidadãos terão a chance de trazer consigo, um grande patrimônio e depositar amor onde se encontra o desamor.
Feliz a comunidade humana que recebe das famílias tal tesouro!
A geração de 68 vive em desconforto: grandes sonhos e sacrifícios, cantos, passeatas, olhar altivo de ícones pregados nas paredes iluminando os quartos, tudo, resultou em filhos que queimam fumo, detestam política, e de academias, só conhecem as de ginástica onde “o culto do corpo compensa a atrofia do cérebro”.
Essa geração queria mudar o mundo, criar homens e mulheres novos.
Lutaram pelo fim da ditadura e foram às ruas para o advento da democracia.
Os pais da modernidade deixaram de herança a confiança nas possibilidades da razão e ensinaram a situar o “sujeito homem” no centro do pensamento e a crença de que, a razão sem dogmas e donos, construiria uma sociedade livre e justa.
“O homem aferrado à razão não se dá conta de que ela é “a imperfeição da inteligência”. (Tomás de Aquino)
Baudelaire e Gautier em 1.864 falaram pela primeira vez em pós-modernidade.
O pós-moderno aparece na moda, na estética e no estilo de vida – é a cultura da evasão da realidade.
                                                                                                                                          
 Hoje é considerado politicamente incorreto propagar a tese de conquista de uma sociedade, onde todos tenham iguais direitos e oportunidades.
É necessário o resgate da ética, da cidadania, das esperanças, para que haja justiça.
Diz o ditado: “É com homens formados no velho sistema que muitas vezes, se fazem as grandes transformações”.

Certa vez perguntaram ao Buda o que mais o surpreendia na humanidade e ele respondeu: “A cabeça dos homens, porque perdem a saúde para juntar dinheiro. Depois, perdem dinheiro para recuperar a saúde e por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma, que acabam por não viver nem o presente e nem o futuro e vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido”.

                                        Lucrecia Anchieschi Gomes

domingo, 12 de julho de 2015

Educação




A verdadeira educação é força social vital. As atuais estruturas sociais não sobreviveriam a uma população educada.
Ter educação é ter consciência crítica de uma realidade que leva a uma ação efetiva. Um homem educado compreende o mundo suficientemente bem para enfrentá-lo racionalmente e equacionar os absurdos da modernidade.
Criadores aprendem o que desejam aprender. Não sabemos quanta liberdade de criação é morta nas salas de aula, dizia Alexander S. Neill, autor de “Liberdade sem Medo” nos anos 60.
Respeitado pelos defensores da flexibilidade na hierarquia escolar, fundou a Summerhill School na Inglaterra, aplicando pedagogias alternativas através de um sistema de Educação na qual o importante é a criança ter liberdade para escolher e decidir o que aprender, e com isso desenvolver-se de acordo com o seu rí, professores,timo.
“Nossa cultura não tem tido grande sucesso. Nossa educação, nossa política, nossa economia levam à guerra. Nossa medicina não põe fim às moléstias e nossa religião não aboliu a usura, o roubo. Os progressos da eletrônica nos ameaçam com novas guerras mundiais, pois a consciência social do mundo ainda é primitiva”, dizia A. S. Neill.
A educação aproveitou muito de seu pensamento e tem-se que as discussões sobre as causas da violência e da indisciplina, apontam para uma omissão da família e da escola em relação ao estabelecimento de limites - pais e professores devem dialogar com a criança e o jovem.
Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é movimento e movimento é vida e é assim, vida no sentido mais autêntico da palavra. A educação é dinâmica.
Tão antigo quanto a Filosofia, o pensamento educacional se desdobra em várias correntes fincadas na Grécia Antiga.

                Lucrecia Anchieschi Gomes


Família e Socialização





O Artigo XVI da Declaração Universal dos Direitos Humanos, diz que a família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado. Norma essa repetida na Constituição Federal Brasileira no Artigo 226 ao afirmar que “A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado”.
O Estado vem fazendo pouco pelas famílias, haja vista o que diz o Artigo 245 da Constituição Federal, cujo dispositivo constitucional diz ser obrigação do Estado dar assistência aos herdeiros e dependentes carentes de pessoas vitimadas por crime doloso, sem prejuízo da responsabilidade civil do autor do ilícito.
O Estado ao encarcerar quem pratica crimes, sequer se lembra de que aquele prisioneiro ou prisioneira pode ser chefe de família, e precisa de assistência e apoio.
O Estado também tem seu papel na criação de uma rede de apoio a pais e mães na tarefa de educar e cuidar de seus filhos. A creche que é o primeiro estágio escolar das crianças na primeira infância vem sendo negligenciada em todo o Brasil. A ausência de creches tem negado às crianças o direito de “brincar”. Muitas crianças acabam tendo esse tempo para brincadeiras, roubado pelo trabalho precoce ou pela violência doméstica.
Há um apelo constante para que se implante a “educação com amor” e que o aconselhamento às famílias, deve ocorrer de forma preventiva em postos de saúde e em reuniões escolares.
O que ainda define uma família são os “laços afetivos muito fortes” e sua função e tarefa básica e natural é a socialização, desprovida de conotação ideológica, introduzindo os filhos nas questões do tempo e da sociedade.
Significa somente, que a pequena e aconchegante sociedade familiar, cimentada pelo afeto é de certo modo, a melhor preparação para quem vai entrar um dia, na sociedade maior – a sociedade civil. E o processo de socialização é longo, da infância toda, ao aprimoramento no período da adolescência através da absorção dos valores e virtudes, complementados depois pela escola, que vai produzir a questão da socialização no coletivo. Portanto, o grupo familiar deve ser acolhedor, protetor e mantido com amor.
O ingresso de um adolescente na sociedade civil, não é um fato natural, fácil, idílico. É um passo perigoso. Perigoso porque, para o adolescente que sofre dolorosamente o impacto, tanto maior quanto mais o corpo social no qual ele tente entrar com não poucas ilusões, mas com certo idealismo e espírito crítico, lhe resiste e lhe mostra hostilidade. Perigoso para a própria sociedade, se o adolescente que nela vá ingressar, carregue em si “conflitos não resolvidos”, desequilíbrios e desarmonias interiores bastante explosivos.
Ora, para tal salto, nenhuma instituição pode preparar o adolescente e o jovem, melhor e mais adequadamente do que a própria família.
Como falar da educação, sem mencionar os golpes que vem sofrendo o seu mais nobre e profundo instrumento, que é a família, instituição agredida frequentemente de maneira desaforada e ostensiva e em especial por intermédio do público. Como educar verdadeiramente as novas gerações, sem levar em conta o processo educativo?
Explicitando: na família, se ela for comunidade de amor entre as pessoas, como deve ser, adolescentes e jovens, podem e devem cultivar  sem livros e espontaneamente no dia a dia, os elementos essenciais de pessoas humanas, chamados a conviver na comunidade civil. Da família devem sair para ingressar na sociedade humana e nela viver e atuar, adolescentes e jovens com:
- personalidade rica - dotada de faculdades e potencialidades de inteligência e vontade, sensibilidade e afetividade íntegras.
- personalidade equilibrada - com as faculdades, cada qual no seu lugar.
- personalidade harmoniosa – com cada faculdade bem entrosada com as demais e em  perfeita sintonia.
A melhor contribuição que a família pode oferecer à sociedade, não indivíduos fechados em si mesmos, desajustados, mas, pessoas humanas na plenitude de seus potenciais e abertas ao convívio social.
Essas personalidades a sociedade pode forjá-las se o “cadinho” familiar falhar, porém não é seguro que o consiga e se o conseguir será à força de duras provas.
Esta é uma escola austera, não conseguindo formar, pode até massacrar.
Faltam na sociedade, os ingredientes da formação de pessoas, como os existentes na família: respeito, laços de sangue e de afeto, ajuda e apoio moral. É tudo isso que se encontra sob o nome de “escola do mais rico humanismo”.
Na atmosfera familiar impregnada de compreensão, aprende-se também a cultivar a unidade na diferença e na diversidade.
A educação familiar tem diante de si o objetivo de construir pessoas diferenciadas umas das outras, cada qual, única e unidas umas às outras pelo vínculo profundo da fraternidade.
Na família deve reinar sem demora, o pedido de perdão, o dão do perdão e a acolhida do perdão – coisas raras na sociedade.

 Lucrecia Anchieschi Gomes